Iniciação por Fernando Pessoa



Um dos mais famosos poetas e filósofos portugueses, Fernando Pessoa, foi também um grande iniciado que penetrou nos arcanos da mente humana e registrou seus pensamentos em anotações e poemas.

Se interessava especialmente no que consistia o Hermetismo como a Alquimia, Astrologia e a mitologia greco romana, assim como foi iniciado numa reservada Ordem Templária de Portugal e demonstra grande conhecimento sobre a antiga tradição Maçônica e Rosa Cruz, e sobre o Cristianismo Esotérico de tradição Joanita.

Ou seja, seu legado é digno de apreciação e estudo a nós que fazemos parte da família Maçônica e DeMolay. Fernando Pessoa nos revela grandes segredos dos nossos antepassados.

Abaixo seu poema intitulado Iniciação

INICIAÇÃO

Não dormes sob os ciprestes, 
Pois não há sono no mundo.

O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.

Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada 
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais:
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.

A sombra das tuas vestes 
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stãs morto, entre ciprestes.

Neófito, não há morte.

Por Fernando Pessoa em Maio de 1932.

Sabemos que "a noite da vida", a morte, é apenas a precursora do "dia eterno". Mas através da Iniciação somos ensinados a como aplicar o que aprendemos nessa jornada até noite da vida

Nada é pior do que uma vida desperdiçada em vão. 

A morte não existe quando olhamos para trás na noite da vida e contemplamos um trabalho bem feito.

Iniciação é sinônimo de morte.

Relembremos o quê passamos no dia em que fomos admitidos, o quê juramos e o quê estamos cumprindo.

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3 comentários:

  1. Queridos, respeitosamente quero comentar uma coisa sobre este grande sujeito, um dos guerreiros que lutaram pela emancipação, crescimento e libertação do Espírito Humano. Luta que, acredito, estamos todos inscritos...
    Pessoa parece nunca ter participado de Ordem Iniciática nenhuma, como ele esclarece neste trecho de carta (escrita para Adolfo Casais Monteiro, de 14.1.35, in João Gaspar Sinmões, Vida e obra de Fernando Pessoa, II, págs. 232.33):
    "Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo. Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, sutilizando-se até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Externa do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (exceto a Maçonaria anglo-saxônica) a expressão "Deus", dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer "Grande Arquiteto do Universo", expressão que deixa em branco o problema de se Ele é Criador, ou simples Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação direta com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir-nos comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente no nível da bruxaria, que é magia também), caminho esse extremamente perigoso, em todos os sentidos; o caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto à "iniciação" ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente — o que é fato — que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1888. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois não se devem citar (indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho".

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  2. Parabéns Tio pelo ótimo blog que vem me ajudando muito no entendimento de nossos rituais.

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  3. Blog excelente!

    Aguardo ansiosamente os próximos, espero que continue com o trabalho.

    Abraços

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